UM PADRÃO PARA TURBINAS EÓLICAS
Paulo Carvalho e Thelma Maria V. e Silva
Harmonização do setor pode estimular uso dessa fonte alternativa de energia.Usina eólico-elétrica da Prainha (CE), com 20 aerogeradores (com potência entre 40 e 500 kW) e capacidade total instalada de 10 MW. O uso crescente da energia eólica no mundo, sem a elaboração e adoção de padrões técnicos comuns, levou à fabricação de diferentes tipos de turbinas eólicas, dificultando o crescimento do setor. A diversidade de modelos traz problemas não apenas técnicos, mas também comerciais, legais, ambientais e mesmo políticos, tornando necessário estabelecer critérios de padronização e harmonização dessas turbinas. Os esforços nesse sentido, que vêm sendo empreendidos principalmente por países da Europa e pelos Estados Unidos, são relatados neste artigo, que defende ainda a necessidade de um padrão brasileiro nessa área. A geração de energia elétrica a partir da energia dinâmica dos ventos (energia eólica) vem crescendo em várias partes do mundo. Com isso, o mercado para turbinas eólicas tem se mostrado cada vez mais competitivo, aumentando a necessidade de uma padronização e harmonização desses equipamentos, quanto às características técnicas e à segurança de sua operação, entre outros aspectos. Não existe atualmente um padrão que seja seguido por todos os países. Na Europa, a concessão de variados tipos de certificação para turbinas eólicas, que permitem diferentes interpretações, tem dificultado a expansão do comércio. A certificação de um tipo de turbina eólica em geral significa a aprovação de seu projeto e de sua fabricação, e também leva em conta aspectos como transporte, montagem, operação e manutenção das mesmas. Em função dos problemas causados pela variedade de critérios, os países europeus e os Estados Unidos (que também têm seus próprios padrões) decidiram promover o estudo de padrões internacionais referentes a turbinas eólicas, através da Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC, na sigla em inglês), organização mundial que elabora e publica padrões. Para desenvolver padrões que sejam adotados mundialmente, o IEC conta com a parceria do Comitê Europeu para Padronização Eletrotécnica (Cenelec) e do Projeto Padrão Europeu para Turbinas Eólicas, conhecido pela sigla EWTS. O IEC foi pioneiro na definição de padrões na área da energia eólica. Em 1987, a Comissão criou o Comitê Técnico 88 para desenvolver padrões técnicos para o setor, envolvendo segurança, projeto, instalação e operação. A partir daí foi criado o primeiro padrão, chamado IEC 1400-1. Além dos parceiros europeus, o IEC conta, para o desenvolvimento de novos padrões na área da energia eólica, com a participação da Associação Norte-americana de Energia Eólica (AWEA) e do Laboratório Riso, instituto de pesquisa ligado ao Ministério de Informação e Pesquisa Tecnológica da Dinamarca.
* Paulo Carvalho e Thelma Maria V. e Silva: Departamento de Engenharia Elétrica,Universidade Federal do Ceará. Artigo publicado pela Revista Ciência Hoje 192, abril 2003.